Educação a Distância – uma realidade sem volta

Desde 1991, quando Tenente do Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo, tenho atuado na área de Educação Profissional. De lá para cá, me formei em Educação Física (1993), trabalhei em duas escolas da Polícia Militar, trabalhei na Diretoria de Ensino da PM, trabalhei com o ensino de tecnologia da Instituição, fiz uma pós graduação na FAAP em 2004, com ilustres professores daquela casa sobre o uso das novas tecnologias na Educação – curso este no formato semelhante a um MBA, fiz outros cursos acessórios e em dezembro último consegui a certificação como criador de cursos para o MOODLE, o MCCC (Moodle Course Creator Certificate).

Nas escolas da Polícia Militar exerci praticamente todas as funções administrativas e de execução nos processo de ensino-aprendizagem: professor (em conteúdos teóricos e práticos), coordenador de cursos, planejamento de ensino, chefe de seções de avaliação, integrante de comissões de concursos públicos internos e externos. Escrevi e participei da reformulação de currículos. Trabalhei com O&M em todas as escolas e cursos onde estive. Também fui professor em duas grandes universidades: uma de SP e outra de Brasília. Em Brasília, aliás, trabalhei no Ministério da Justiça, no DEPAID (Departamento de Ensino, Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal da Segurança Pública).

Meu namoro com a educação é antigo. São mais de 23 anos. Com a EaD é mais recente; são 15 anos. Meu primeiro projeto sobre EaD data do ano de 2000, quando pretendia montar uma sala de produção de cursos ditos eletrônicos.

Esta apresentação se faz necessária para que você, caro amigo, entenda porque um Coronel da PM se predispõe a falar sobre Educação, suas aplicações profissionais e educacionais, a relação desta com a temática Segurança Pública; sobre Educação a Distância, sobre Treinamento Profissional. Espero que você também participe, dando suas opiniões, ampliando os conceitos e discutindo os temas propostos.

A Educação a Distância não é nova e nasceu das mesmas necessidades hoje apresentadas: dificuldade de se deslocar até o local de um curso presencial, necessidade de se capacitar mais pessoas em menos tempo, adequar o horário do aprendizado à possibilidade de cada aluno, padronizar a oferta de conhecimento.

A EaD por meios eletrônicos é bem mais nova, e começou a ganhar vulto no cenário educacional e profissional na mesma velocidade que a tecnologia se desenvolveu. Hoje as possibilidades são bem maiores, com a existência de internet mais veloz, internet móvel, tablets, smartphones, etc. Não vou entrar no mérito da qualidade dos serviços de telefonia móvel e de uso de dados móveis aqui em nosso país, mas onde estes serviços funcionam, há uma boa flexibilidade de acessibilidade para o estudante.

Quando comecei a me envolver com a EaD por meios eletrônicos, era notória a dissociação que havia entre educação e tecnologia: quem era de tecnologia naturalmente pouco sabia de educação e para muitos educadores tecnologia era grego. Tenho até hoje um recorte de jornal no qual uma grande instituição de ensino oferecia, em março de 2002, uma vaga de Designer Instrucional (designação profissional nova na época), cujas competências obrigatoriamente deveriam estar aprofundadas em tecnologia, educação, no uso da tecnologia na educação e em gerenciamento de projetos. Além disso, era desejada a experiência de 3 anos. As responsabilidades do profissional, os requisitos de formação, os conhecimentos específicos e os requisitos adicionais englobavam pelo menos uns 20 temas ou mais. Como eu estava começando na área, guardei o anúncio como uma referência de tudo que deveria aprender para trabalhar – e tenho estudado quase todos desde então. Convivi e convivo com muitos profissionais de educação e tecnologia e sei o quanto cada um deles penou para se adaptar a esta obrigatória convergência da educação com a tecnologia.

Mas a EaD tem outras características  bem interessantes: sua versatilidade lhe confere ampla aplicabilidade, sua disponibilidade confere o acesso à educação a mais e mais pessoas, muitas vezes a um custo muito menor (especialmente para o estudante) do que em cursos presenciais. Para os diversos tipos de instituições de ensino formal e para as universidades profissionais – aquelas sediadas em empresas ou voltadas para o treinamento profissional, vemos o aumento de seus alcances, pois agora estas não tem sua limitação de negócios pela quantidade de campus físicos e salas de aula, mas pela capacidade de atender com QUALIDADE cada vez mais alunos. Os campus virtuais muitas vezes são maiores que os presenciais. E como neste mundo moderno parece que nunca sabemos o suficiente, a tendência da demanda aumentar mais e mais tende a ser real. Certamente a EaD é uma grande oportunidade, mas deve ser direcionada e dirigida por pessoas competentes e experientes – falarei disso em uma próxima matéria.

Em um dos livros que li sobre o assunto havia uma afirmativa que dizia mais ou menos assim: “…uma das características da EaD é permitir, para as empresas, a diminuição das oportunidades perdidas com seus colaboradores. O maior custo que se apresenta ao empreendedor não é o seu investimento na EaD, mas sim o custo com estas oportunidades perdidas…” – na época demorei um pouco para entender esta afirmação: no competitivo mercado o empresário não se pode dar ao luxo de ter colaboradores desatualizados, o conhecimento deve ser mais rapidamente difundido e apreendido. Ganha o colaborador ou estudante, ganha a empresa. Isso se aplica às Empresas, aos Governos, às Universidades.

Se você acredita nos resultados ou gosta da EaD, pouco importa: hoje é um caminho sem volta. Parece aquela história sobre o uso de câmeras digitais: estas nunca iriam sobrepujar as ditas analógicas, de filme em rolo – vejam o que aconteceu!

É, mais cedo ou mais tarde você provavelmente vai participar de algum curso a distância por meios eletrônicos – como professor, consultor ou como aluno.

E olha que pode acabar gostando…

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