Objetos instrucionais – O menos é mais

Em duas madrugadas consecutivas vi na televisão entrevistas sobre o modelo atual de ensino e sobre a escalada da EaD. As discussões que assisti, com a participação de especialistas do Conselho Nacional de Educação, do MEC e de Universidades, tratavam da necessidade de mudança do modelo educacional tradicional que hoje é considerado ultrapassado – por não preparar o aluno para a vida real – da importância de se acelerar o processo de atualização dos professores para esta realidade e de cada vez mais dar autonomia no processo educacional para o aluno.
Na edição 107 (nov/dez14), a revista HSM Management publicou um dossiê sobre educação executiva, com mais de 30 páginas,  tratando de toda a dificuldade que existe na preparação de novos executivos e coloca a culpa, em parte, nos processos educacionais existentes no mercado.
Uma frase marcante é do sr. Roger Martin, especialista em estratégia e professor de educação executiva da Rotman School of Management, da University of Toronto, Canadá, ao falar sobre escolas de negócios que ainda estão apegadas a métodos de ensino praticados há séculos, diz:
” Para ensinar a inovar, é preciso inovar”
Diante deste panorama, vamos falar um pouco sobre o Objeto Instrucional (ou de Aprendizagem), o átomo na construção de cursos no formato de EaD.

Segundo a norma IEEE 1484 (1484.12.1 Standard for Learning Object Metadata), a qual define que o metadado de um objeto educacional descreve características relevantes que são utilizadas para sua catalogação em repositórios de objetos reutilizáveis:

um objeto de aprendizagem é definido como qualquer entidade, digital ou não, que possa ser usada para aprendizagem, educação ou treinamento”

Objeto de Aprendizagem é como uma unidade de aprendizagem autônoma, que traz em si um componente de conteúdo e um componente de avaliação, ambos em conformidade com seus objetivos de aprendizagem. São “pedaços” de conhecimento disponíveis na web ou em bancos de dados específicos. Existem bibliotecas repletas de objetos de aprendizagem que podem ser utilizados independentemente ou em conjunto como parte de cursos mais completos.

Proporciona uma “atomização” do material didático para facilitar a compreensão. Na sua concepção, deve ser levado em conta que os objetos de aprendizagem devem ser facilmente: achados, acessados, atualizados, costurados com outros pedaços, trocados com outras pessoas.

Com esta visão, fica fácil entender o grande interesse pela tecnologia de objetos de aprendizagem, uma vez que o custo de desenvolvimento de conteúdo virtual interativo é bastante expressivo; daí a necessidade de se padronizar formatos de armazenamento e de referência, visando-se a reutilização de materiais.

Além de facilitar a gestão de conteúdos educacionais produzidos por uma determinada instituição ou empresa, há pelo menos mais dois fatores que motivam a padronização de objetos de aprendizagem:

– se houver a troca de LMS por outro, essa operação se torna muito complexa se não houver padronização nos formatos dos conteúdos didáticos.

– com a globalização, tornou-se mais comum o compartilhamento de conteúdos pedagógicos, o que exige um mínimo de padronização visando-se reutilização e interoperabilidade.

O conceito de objeto de aprendizagem recebe diversas denominações, tais como “learning object”, “instructional object”, “educational object”, “knowledge object”, “intelligent object”, e “data object” (GIBBONS, 2002).

Qualquer que seja a denominação empregada, o objetivo praticamente não varia: facilitar a decomposição de sistemas educacionais em módulos relativamente pequenos e potencialmente reutilizáveis.

Devido à grande diversidade de formatos de conteúdos multimídia já disponíveis no mercado os esforços de padronização têm se concentrado nos chamados metadados, que se constituem de dados cadastrais sobre os objetos de aprendizagem, utilizados para referência e busca de material didático.

Em épocas que TEMPO talvez seja uma das principais buscas e AGILIDADE uma atitude mais que desejada, conhecer, entender e implementar a filosofia de Objetos de Aprendizagem quer seja na Educação Formal, na Educação Executiva ou na Matriz de Treinamento Profissional das empresas e instituições, pode garantir a economia financeira e processual, expurgar o re-trabalho, otimizar a capacidade do sistema de treinamento e transformar despesa (que é gasto para sobreviver) em custo (que é despesa que pode ser agregada ao preço) ou investimento (que pode gerar lucro e novas oportunidades)

Com inteligência, planejamento e boa estratégia, mais uma vez, o menos pode ser mais, muito mais.

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