Debaixo do chuveiro

CRIATIVIDADE EM TEMPOS DE FALTA D’ÁGUA
Artigo baseado no livro “Qualidade da Criatividade” de Victor Mirshawaka e Victor Mirshawaka Jr.
 
Criatividade e sua conceituação
Para de fato praticar o pensamento criativo, as pessoas precisam encontrar formas de inibir a prática do pensamento reflexivo ou analítico, que geralmente é norteado pela estrutura, impedindo, assim, o julgamento prematuro.
Os estudiosos afirmam que a educação e a sociedade tradicionais, geralmente com forte ênfase na comunicação e no treinamento precoce em leitura, escrita e aritmética, discriminam toda uma metade do cérebro, aquela onde reside a criatividade inata.
É no hemisfério direito do cérebro que temos a visão geral de nossa existência no nosso mundo.
Algumas definições diferentes para criatividade:
  • Para Ghiselin (1952), “é o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva”.
  • Segundo Flieger (1978), “manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio”.
  • “o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma” (Suchman, 1981)
  • “criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo” (Stein, 1974)
  • “criatividade representa a emergência de algo único e original” (Anderson, 1965)
  • “criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e re-testar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados” (Torrance, 1965)
Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a habilidade criativa das pessoas esteja de certa forma ligada a seus talentos.
Pode-se classificá-la segundo o lugar de origem e a forma como se manifesta. Um exemplo de classificação por lugar de origem é a seguinte:
• Criatividade individual: é a forma criativa expressa por um indivíduo
• Criatividade coletiva ou de grupo: é a forma criativa expressa por uma organização, equipe ou grupo. Ela surge geralmente da interação de um grupo com o seu exterior ou de interações dentro do próprio grupo.
O potencial criativo humano tem início na infância. Quando as crianças têm suas iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos ousados, propensos a agir de forma inovadora. O inverso também parece ser verdadeiro.
Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, parecem tender a criar mais. O medo do novo, o apego aos paradigmas são formas de consolidar o status quo. Quando sentem que não estão sob ameaça (de perder o emprego ou de cair no ridículo, por exemplo), as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades criativas.
Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores genético/hereditários e, portanto, determinista.
Certas pessoas também admitem que a criatividade não tem necessariamente ligação com o quociente de inteligência (QI), que ela tem mais afinidade com motivação do que com inteligência.
O espírito criativo (pág. 38 a 43)
Ter espírito criativo significa ser inventivo e cheio de imaginação. Como criar apenas preso à lógica das coisas, à exatidão dos cálculos? Ambos são importantíssimos, mas na hora devida.
Os autores descrevem o que eles chamam de quatro elementos do espírito criativo, sua “alma”:
Abertura – ter flexibilidade, respeito e admiração pelo novo.
Tolerância ao risco – significa concordar em deixar sua zona de conforto para encontrar novas idéias, pessoas e informações que podem aumentar a sua criatividade.
Ânimo – é o combustível indispensável para trabalhar, sendo a fagulha da paixão que faz com que você provoque a liberação de muita energia.
Curiosidade – é a força inquisitiva que todos devem ter para investigar novas áreas ou procurar uma maneira melhor de fazer algo.
Desenvolver seu espírito criativo depende de sua capacidade de expandir sua ALMA criativa
Os 4 Ps da criatividade  (pág. 32 a 37)
Pessoa e criatividade
As abordagens iniciais utilizadas para o estudo da criatividade na pessoa concentraram-se basicamente nas descrições das características de alguns indivíduos altamente criativos. Observou-se que algumas características eram comuns a todos eles.
Outro desafio estava em saber quanta criatividade cada pessoa tem.
Ao invés de se medir quantidade, verificou-se que existem diferentes estilos de criatividade e que os fatores motivacionais podem fazer com que uma pessoa teoricamente menos habilidosa do que outra, porém mais motivada, obtenha resultados muito mais criativos.
Sabe-se também que a criatividade coletiva é muito proveitosa, quando juntam-se para resolver um problema vários estilos e motivos.
Processo criativo
O processo criativo é um dos quatro aspectos essenciais da criatividade. Seu estudo busca determinar quais as fases ou etapas pelas quais as habilidades de pensamento, processamento mental e cognitivo passam à medida que a pessoa vai utilizando a sua criatividade.
Idéias não surgem “da fumaça”, são construídas por processos mentais livres de obstáculos, mas embasadas em todo o conhecimento que a pessoa possui
Segundo alguns autores, possui 5 fases:
• Preparação
• Incubação
• Iluminação
• Implementação e
• Verificação
Hoje existem ferramentas para se mensurar o processo criativo. Em um dos estudos conduzidos por uma empresa, percebeu-se que eram necessárias cerca de no mínimo 50 idéias para se conseguir um produto ou serviço de sucesso.
Ambiente e criatividade
Sua análise leva em consideração as condições de contexto, lugar, situação ou clima em que a criatividade pode ser mais facilmente desenvolvida.
O ambiente, também visto como pressão, exerce uma influência muito mais importante para a criatividade do que imaginamos.
Falta de apoio, desorganização, imediatismo e falta de visão são aspectos que podem minar a ALMA do espírito criativo.
Ao contrário, quando atuamos em ambientes que privilegiam o desafio, o risco, o dinamismo e o respeito pelo novo, estamos desestimulando o modo “piloto automático” de viver.
Produto criativo
Alguns chamam esta área de estudo de inovação, por se concentrar basicamente em resultados.
Mas, uma coisa é certa: se os outros “Ps” forem bem, a probabilidade de surgir um produto criativo e até mesmo inovador, aumenta muito.
Rothenberg definiu que “criações são produtos ou serviços novos e criatividade é a capacidade que possibilita produzir as criações”.
Uma curiosidade: dentro do processo criativo, cada pessoa tem seu momento próprio de iluminação: tem gente que cria ouvindo música, cantando, dormindo (?!?), andando, correndo, no banheiro, no banho, etc.
Eu já descobri que tenho melhores insights debaixo do chuveiro. São quando minhas melhores idéias fluem.
Mas como a falta de conhecimento diminui o escopo e a amplitude da visão do processo criativo, vamos estudar, porque em tempos de falta d’água, o negócio é aproveitar cada gota que cai.
Rápido!
E você, quando e como é mais criativo?

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