Para pais e educadores refletirem e se indignarem

META, META, META
Artigo baseado na matéria “Do zero ao topo do ranking” de Cintia Thomaz, publicada na Revista Veja de 08out14. 
A protagonista desta história é uma ex-enfermeira que há três décadas vive Educação. Seu nome é Muriel Summers – diretora da  escola de ensino fundamental A.B. Combs, da cidade de Raleigh, na Carolina do Norte, EUA.
Ela encontrou um ambiente escolar inóspito, com alunos desmotivados e professores desrespeitados. Nada muito diferente a encontrar em boa parte do nosso País. Decidida a mudar este quadro ela buscou apoio no mundo dos negócios, fora dos muros escolares e o que trouxe de lá deu tão certo que a sua escola – segundo a matéria, assumiu o primeiro lugar no ranking do Departamento de Educação americano. Vamos rever algumas de suas atitudes:
1. Ela se indignou com o que viu:
- SIMPLESMENTE NÃO ACEITOU PASSIVAMENTE O QUADRO EXISTENTE
- FOI ATRÁS DE SOLUÇÕES FORA DOS MUROS ESCOLARES
2. Do mundo dos negócios ela trouxe práticas comuns, mas certeiras:
- TODA CRIANÇA TEM METAS BEM DEFINIDAS E COM PRAZOS TANGÍVEIS
- E A CRIANÇA SABE DISSO
- CADA ALUNO DEFINE EM CONJUNTO COM SEU PROFESSOR METAS ESPECÍFICAS PARA AQUELA MATÉRIA
- TRAÇAM UM PLANO E ESTIPULAM UM PRAZO PARA EXECUTÁ-LO SOB A BATUTA (GESTÃO) DO PROFESSOR
- POR VEZES OS ALUNOS ESTUDAM (TRABALHAM) COM ALUNOS QUE TEM OS MESMOS INTERESSES E EM OUTRAS OPORTUNIDADES COM ALUNOS DE INTERESSES DIFERENTES – TUDO PARA EXERCITAR A CAPACIDADE DE TRABALHAR COM EFICIÊNCIA EM EQUIPE.
Transcrevo algumas frases dela:
“nas minhas turmas, o aluno não deixa de fazer os deveres porque vê sentido naquilo”
“esse negócio de ensinar crianças é a minha vida”
Em outubro passado, quase 2000 escolas no mundo utilizavam seu método.
Não dá gosto de ouvir uma história destas? E o que podemos aprender com ela?
Primeiro: o mundo sempre foi transversal, o que mudou é que hoje ele está ainda menor e mais acessível.
Segundo: benchmarking sempre será plausível se for cabível, não interessando se as melhores práticas a copiar forem de áreas teoricamente tão distintas.
Terceiro: pasmem! As crianças tem que saber o objetivo e a utilidade do que aprendem senão podem ficar desmotivadas.
Quarto: metas definidas e prazos condizentes são fatores de sucesso TAMBÉM na Educação.
Quinto: os alunos devem ser constantemente avaliados (e lá as notas estão em alta!)
Sexto:  comportamentos adequados auxiliam no processo (lá a disciplina é inegociável)
Está faltando alguma dessas visões e ações na sua escola?
Procurei algumas definições para meta e para objetivo: gostei daquelas que dizem que OBJETIVO é a definição daquilo que se almeja alcançar e META é definida em termos quantitativos e com prazo determinado. Nessa visão, a META pode ser comparada a um estágio, um degrau para se alcançar o objetivo, e deve ser mensurável no tempo.
Tenho uma filha em idade escolar e frequentemente acompanho suas lições e estudos. Muitas vezes percebo que falta essa ligação da teoria com a realidade em muitos assuntos que ela tem que estudar. Isso me preocupa porque nesta época chamada virtual, o mundo parece mais real do que nunca: as pessoas – neste caso os alunos, não aceitam passivamente o que lhes é transmitido, tudo precisa ter um significado. Por vezes, vejo o inverso: são tantas informações reais que percebo sua dificuldade em assimilar todas – ela (uma criança de 10 anos) ainda não viveu tantas experiências assim.
Apesar de existirem a LDB (Lei de Diretrizes e Bases do Ensino Nacional), os currículos, as matérias, os assuntos, os Planos de Aula – que são a carta náutica e a bússola do professor, também me parece que para as crianças não é clara a META a cada semana, mês, a cada ciclo. E vejo como isso dificulta o aprendizado. Ah, e o problema não é só na minha casa não, pois ao conversar com seus colegas, vejo o mesmo cenário.
Tenho uma excelente negociadora em casa, mas como negociar bem estudos e lazer quando as METAS não estão bem definidas e fico negociando fragmentos? Vejo por vezes assuntos soltos (o que dificulta o aprendizado), páginas de material escolar padronizado que são puladas, avaliações não tão condizentes com livros e cadernos. Você também vê isso?  E olha que eu tenho conhecimento e prática em gerenciar crises, hein!
Brincadeiras à parte, não tenho dúvidas: hoje o ensino tem que ser mais real, mas dosado, os objetivos tem que ser bem claros PARA O ALUNO. Tem uma frase que para mim pesa muito em educação: “É MELHOR ENSINAR BEM DO QUE ENSINAR MUITO” - a quantidade se esquece, a qualidade se guarda.
Precisamos estar atentos a isso!
Se você, educador, corrobora com a diretoria Muriel e comigo e também fica indignado com o quadro atual e tem paixão pela Educação, faça mudanças onde puder atuar: defina objetivos e trace metas compatíveis com a realidade de seus alunos…e as comunique a eles.
Se você, pai, não vê nada do que falei; ou vive em uma ilha de excelência (parabéns) ou está na hora de acompanhar mais de perto a educação formal de seus filhos.
EIS UMA BOA META PARA TODOS NÓS!

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