VOCÊ É O SEU PROFESSOR

SERÁ QUE VOCÊ CONSEGUE?
Artigo baseado na edição 4 do Guia do Estudante Abril, guia este que trata exclusivamente sobre Educação a Distância e foi publicado no final de 2014. PARTE II
Se tem gente que acredita que frequentar um curso à distância é para qualquer um, pode se enganar. Apesar de todas as facilidades que o uso adequado da tecnologia nos proporciona, existe uma variável independente no bom desempenho do processo educacional que nenhum professor ou escola pode efetivamente controlar: o aluno.
Como assim? Os LMS não permitem ao gestor de curso fazer o acompanhamento individualizado de cada aluno, sabendo em detalhes o que ele fez ou não fez; se ele está no ritmo pretendido, etc? A resposta é que apesar de haver todo este aparato para facilitar a gestão educacional e também a gestão do aprendizado pelo próprio aluno, há algumas características individuais que vão determinar o resultado melhor ou pior de cada um.
Sabe aquela história de liberdade com responsabilidade? Cai como uma luva para a EaD. O Guia do Estudante destaca algumas destas qualidades as quais irei contextualizar:
DISCIPLINA: separar um horário específico para estudar e cumpri-lo é primordial. Quem desenha um curso no formato EaD o faz planejando quantas horas o aluno deve se dedicar a cada assunto. Normalmente os ciclos de estudo devem ser cumpridos em semanas  ou quinzenas, de forma que há um parâmetro para o aluno se adequar. Para os marinheiros de primeira viagem leva um tempo para “sentir” qual é a velocidade imposta pelo curso e qual é a sua capacidade de resposta ao estudo sugerido. Depois desta fase inicial o aluno começa a ter uma melhor capacidade de se planejar, conduzindo melhor seu aprendizado. A carga horária de cada assunto é baseada na seguinte equação: quanto tempo um aluno médio leva para cumprir determinada etapa acrescido de um percentual de tempo – uma segurança para quaisquer problemas – muitos deles comuns (falta de energia elétrica, ausência do serviço de internet, algum problema de ordem pessoal do aluno, etc)
 
ORGANIZAÇÃO: isso permite ao aluno fazer seu próprio planejamento: se nesta semana estarei empenhado durante 3 dias em uma viagem de negócios onde terei dedicação exclusiva, vou ter que cumprir a carga horária semanal nos quatro dias restantes. Estabelecer metas diárias, semanais, quinzenais, muitas destas pensadas do futuro para o presente (em tal data daqui a 25 dias terei que entregar tal trabalho/quais são as etapas a cumprir/terei que cumprir tais metas a cada semana). Sei que vou falar o óbvio, mas sempre que você puder se adiantar, faça isso: sempre pode acontecer um imprevisto e te atrasar.
 
MOTIVAÇÃO E PROATIVIDADE: todos sabemos que quando alguém estuda sobre algo que gosta, tudo fica mais fácil, a motivação é natural. Mas nem sempre é assim. As crianças, jovens e adolescentes estudam assuntos determinados nos currículos nacionais. Os adultos estudam temas necessários para o seu dia a dia profissional ou visando melhorias e conquistas no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo. Para o primeiro grupo, o professor autor e o designer instrucional são peças chave no processo, além de conhecimentos sobre pedagogia, visando amenizar as dificuldades motivacionais para cada assunto. Para os adultos, além do professor  autor e do designer instrucional, e de conhecimentos sobre andragogia, há que se definir estratégias educacionais com vistas à carga a que o adulto naturalmente já é submetido. Se tivermos um programa de educação continuada estruturado na empresa, quanto mais específicos, objetivos e curtos os temas, mais fácil o cumprimento pelos colaboradores. No caso dos adultos, há uma premissa que considero importante no planejamento educacional: o adulto aprende dois tipos de coisas: o que ele gosta e o que precisa saber. Não existe passividade na modalidade a distância: ou o aluno é proativo ou não segue adiante.
CURIOSIDADE E AUTONOMIA: em um curso a distância as ferramentas e recursos estão ali: disponíveis, organizados, planejados. As propostas e processos escritos e descritos – cabe ao aluno se dedicar, ir atrás do conhecimento, de mais informações, de mais argumentos para sustentar esta ou aquela tese; para construir um juízo diferente ou destruir um pré existente. Cursos bem planejados exigem mais dos alunos, assim como do professor. Mais do que qualidades inatas, acredito que tanto a curiosidade quanto a autonomia são traços que a EaD bem planejada ajudam a desenvolver no aluno, independentemente de sua idade ou maturidade.
 
FAMILIARIDADE COM A TECNOLOGIA: algo mais complicado no passado, a meu ver se familiarizar com a educação por meio de recursos tecnológicos é bem mais simples hoje – cada vez mais a tecnologia está amigável e acessível. Do lado do desenvolvedor, páginas do LMS bem estruturadas, ferramentas disponíveis conforme a necessidade, recursos digitais em formatos comerciais, a existência de um Manual sobre o curso logo no início e prazos bem estabelecidos vão facilitar a familiarização com o curso. Do lado do aluno, ter um computador de boa qualidade, um bom acesso à internet; conhecer os principais formatos digitais comerciais, estar habituado a navegar na internet, saber salvar, criar e enviar arquivos são conhecimentos básicos.
 
Segundo a ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), os principais motivos de abandono de cursos autorizados pelo MEC – a partir de informações fornecidas pelas instituições de ensino foram:
  • custos da matrícula e das mensalidades – 8,4%
  • falta de tempo para estudar e participar do curso – 24%
  • desemprego – 11,6%
  • aumento da carga de trabalho/viagens a trabalho – 22,4%
  • falta de adaptação à metodologia – 22,8%
  • outras causas – 10,8%
Em uma análise bem simples:
  1. um quinto das desistências tem a ver com problemas de ordem financeira.
  2. 46,4% das desistências se devem à dificuldade de conciliar a vida profissional, a vida familiar e os estudos.
  3. quase um quarto das desistências tem por base a não adaptação à metodologia.
Faço uma importante ressalva: não é porque o aluno estuda virtualmente que ele está sozinho: dependendo do planejamento do curso pode ser que ele interaja muito mais com seus colegas e professores do que em um curso presencial, a construção do conhecimento em alguns casos específicos pode ser inclusive mais rica.
Lealdade e Constância é um bom lema para o aluno virtual.
E aí? Será que você consegue?

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